Na última segunda-feira, 1º de junho, o Congresso da República do Paraguai foi sede da Audiência Pública Regional “Mulheres agricultoras: alimentar o presente, sustentar o futuro”, com o objetivo de dar visibilidade às mulheres rurais como pilar fundamental dos sistemas agroalimentares do MERCOSUL.
O encontro foi impulsionado pela Frente Parlamentar contra a Fome (FPH do PARLASUL), com o apoio estratégico da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e da Cooperação Espanhola, por meio da Iniciativa América Latina e Caribe sem Fome.
Durante o evento, Parlamentares, acadêmicos, representantes da sociedade civil e especialistas em cooperação internacional analisaram as barreiras estruturais enfrentadas pelas produtoras camponesas e indígenas. A FPH do PARLASUL foi presidida pelo Parlamentar Matías Sotomayor (Argentina), juntamente com Brenda Balbuena (Argentina), Yesica Taborda (Argentina), Karolina Bobadilla (Argentina), Heitor Schuch (Brasil), Yolanda Paredes (Paraguai) e Luis Gallo (Uruguai).
Também participaram a senadora Blanca Ovelar, coordenadora da Frente Parlamentar contra a Fome da Câmara dos Senadores do Paraguai; o deputado Pastor Vera Bejarano, coordenador da Frente Parlamentar contra a Fome da Câmara dos Deputados; Luis Lobo, especialista da FAO e coordenador do projeto de apoio à Iniciativa América Latina e Caribe sem Fome; e Juan Pita Rodrigañez, coordenador-geral da Oficina da Cooperação Espanhola (AECID) no Paraguai.
O presidente da FPH do PARLASUL destacou: “O MERCOSUL é um dos blocos políticos e sociais mais relevantes da região, e é fundamental trabalhar em estratégias para a segurança alimentar. Hoje falamos das mulheres agricultoras e assumimos a tarefa de construir uma estratégia legislativa que reconheça aquelas que colocam o alimento na mesa da população”.
Blanca Ovelar, coordenadora da FPH do Senado paraguaio, evidenciou a desigualdade existente: “38% da produção do país é sustentada por mulheres agricultoras e, ainda assim, elas seguem enfrentando desigualdades no acesso à terra, ao financiamento e à tomada de decisões. Embora tenhamos reconhecido seus direitos por lei, uma norma por si só não basta. Há uma dívida pendente que exige avançar em leis regionais”.
Por sua vez, o deputado Pastor Vera Bejarano enfatizou que “apoiar a mulher rural e a agricultura familiar camponesa é uma questão estratégica e de soberania”.
Além disso, Luis Lobo, oficial do Programa Espanha–FAO para a América Latina e o Caribe, ressaltou que “o Pacto Alimentação Primeiro não é apenas uma declaração: é o motor político que impulsiona a Aliança Parlamentar Ibero-Americana e Caribenha. Este compromisso de alto nível coloca o combate à fome no centro da agenda pública, valorizando o papel e o trabalho da mulher agricultora, especialmente no marco do Ano Internacional declarado pelas Nações Unidas”.
Por sua vez, Juan Pita, coordenador-geral da Oficina da Cooperação Espanhola (AECID) no Paraguai, destacou a relevância do trabalho legislativo: “É onde se equilibra a cooperação e a competição para não deixar ninguém para trás. Desde a Cooperação Espanhola, reafirmamos nosso compromisso com o MERCOSUL em favor da mulher rural e da soberania alimentar”.
O encontro ganhou especial relevância diante da declaração das Nações Unidas de 2026 como o Ano Internacional da Mulher Agricultora. Nesse contexto, no mesmo dia foi aprovada, na CVIII Sessão, a declaração de apoio ao “Ano Internacional da Mulher Agricultora 2026”.
A audiência também serviu como espaço para a entrega da distinção “Mulheres que Alimentam o Futuro”, um reconhecimento ao esforço cotidiano das produtoras e lideranças rurais paraguaias no sustento de suas economias comunitárias.
Como resultado desse diálogo, a jornada foi concluída com a leitura e assinatura da “Declaração de Assunção sobre Mulheres Rurais e Segurança Alimentar”, um documento que consolida os compromissos parlamentares regionais para seguir transformando leis em ações concretas em favor do campo e das mulheres.
Com informações da Frente Parlamentar contra a Fome.

